Tocar o indizível: A poesia e os nomes de Deus

Tocar o indizível: A poesia e os nomes de Deus é o tema do Encontro de Reflexão Teológica (ERT) do Metanoia que terá lugar em  Leiria, de 28 a 31 de Julho de 2018.

O poema, dizia Octávio Paz, “é a casa de uma presença“. E acrescentava: “tecido de palavras feitas de ar, o poema é infinitamente frágil e, não obstante, infinitamente resistente: é um perpétuo desafio ao peso da história“.

Faremos este encontro em torno daquilo que os poemas tocam, da forma como percorrem os fios das nossas vidas múltiplas, com as suas fulgurações e os seus lamentos, e da forma como se tornam lugares plurais de uma presença incerta e prometida. Percorreremos um conjunto de poetas e de textos na procura comum de uma casa habitada.

As palavras, na sua intensa corporeidade, são a matéria do poema. Ao contrário dos registos da ciência ou da filosofia, o poema não abstrai, não classifica, não explica. Mas, ao mesmo tempo, em cada leitura recomeça e em nós convoca paisagens insuspeitas. Por isso talvez nos sirva ainda para tocar o indizível. Não dizê-lo, que estamos roucos; não ouvi-lo, que não sabemos. Tocá-lo apenas.

Também os nomes de Deus são o que a boca oculta. E, simultaneamente, as fendas por onde a nossa experiência se ilumina. A pergunta que esse balbuciar comporta está contida no último verso de um poema de um autor quase desconhecido, desaparecido há muito, o António Pinto de Sousa:

se estamos tão perto, que importa que a fonte seja no fim do mundo?“.

*   *   *

Para animar a reflexão do encontro deste ano, teremos connosco o Luís Soares Barbosa que, além de professor de Ciências da Computação na Universidade do Minho e associado do Metanoia, é um leitor de poesia e autor de quatro livros de poemas: onde sopra o vento (Quasi, 2004), embora seja noite (Cosmorama, 2007), sobre fio de lume (Cosmorama, 2008) e e fico só e falo com as sombras (CMBraga, 2016).

Estão também já confirmadas outras duas participações que irão enriquecer igualmente o encontro: o poeta Fernando Echevarría, um dos poetas mais premiados de sempre (recebeu, entre outros, o prémio Árvore da Vida Padre Manuel Antunes) e autor de duas dezenas de obras, entre as quais Sobre os Mortos e Introdução à Poesia (os seus livros estão reunidos em dois volumes com o título Obra Inacabada, Afrontamento, 2016); e o compositor José Carlos Cantante, que criou vários cânticos litúrgicos que aliam inspiração bíblica, modernidade melódica, harmonia musical e beleza poética. E esperamos ainda outras confirmações que poderão fazer deste encontro uma experiência bem diversificada e fértil.

Como habitualmente, o ERT prevê uma dinâmica própria com os mais novos, que terá também alguma relação e ligação com o tema.

Alterações climáticas: responsabilidade individual e social

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Sessão de Estudos – 3 de março de 2018

(mais informação e inscrição, veja o final do artigo, p. f.)

“As mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, económicas, distributivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade. Provavelmente os impactos mais sérios recairão, nas próximas décadas, sobre os países em vias de desenvolvimento. Muitos pobres vivem em lugares particularmente afetados por fenómenos relacionados com o aquecimento, e os seus meios de subsistência dependem fortemente das reservas naturais e dos chamados serviços do ecossistema como a agricultura, a pesca e os recursos florestais. Não possuem outras disponibilidades económicas nem outros recursos que lhes permitam adaptar-se aos impactos climáticos ou enfrentar situações catastróficas, e gozam de reduzido acesso a serviços sociais e de proteção. Por exemplo, as mudanças climáticas dão origem a migrações de animais e vegetais que nem sempre conseguem adaptar-se; e isto, por sua vez, afeta os recursos produtivos dos mais pobres, que são forçados também a emigrar com grande incerteza quanto ao futuro da sua vida e dos seus filhos. É trágico o aumento de emigrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental, que, não sendo reconhecidos como refugiados nas convenções internacionais, carregam o peso da sua vida abandonada sem qualquer tutela normativa. Infelizmente, verifica-se uma indiferença geral perante estas tragédias, que estão acontecendo agora mesmo em diferentes partes do mundo. A falta de reações diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda do sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes, sobre o qual se funda toda a sociedade civil.

Laudato Si

 

Programa *

10.30 – Abertura

10.45 – Responsabilidade humana nas alterações climáticas: causas e consequências Carlos Soares Borrego

11.30 – Responsabilidade social e novos estilos de vida – Luísa Schmidt

12.15 – Debate

13.00 – Intervalo para almoço

14.30 – Desafios para os territórios: tensões e ordenamento Helena Oliveira Freitas

15.15 – Qualidade ambiental e seus reflexos na saúde e bem estar de populações vulneráveis – João Paulo Teixeira

16.00 – Intervalo

16.30 – Implicações económicas e políticas:  a economia circular – Lígia Pinto

17.15 – Debate

18.30 – Encerramento

*  ainda sujeito a alterações

 Local

Casa Diocesana do Vilar

Rua Arcediago Van Zeller, 50

4050-621 Porto

Telef.: 226 056 000  –  910 274 982

Coord:  Lat: 41º 8′ 60″N Long: -8º 37′ 42″W

http://www.seminariodevilar.pt/

(neste site, há um mapa e mais informações sobre como chegar)

Inscrição

Não Associados do Metanoia: 20 €
Associados do Metanoia: 10 € (sujeito a perequação)
Almoço ou jantar:  12,50€
Formulário para a inscrição: https://goo.gl/forms/5kmbVFhDelmSIOBy2

Pagamento por transf. bancária e em numerário (no próprio dia, no local)

NIB: 003501270003312353057
IBAN: PT50 0035 0127 00033123530 57

Para os que pretendam alojamento para a assembleia no domingo, dia 4 (inscrição no mesmo formulário):
Alojamento e pequeno almoço:
– Quarto individual: 35€/noite
– Quarto duplo (2 pes.): 45€/noite

Almoço ou jantar:  12,50€

Mais informação: metanoia.se@gmail.com

encontro de reflexão teológica 2017

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“A Fé vive de afeto” expressões da Fé num mundo global

Conversas com o P. José Frazão Correia, sj e com o P. Peter Stilwell 

de 29 Julho (sáb.) a 1 Agosto, 2017 (3.ª f.) 

«Gesto muito humano de reconhecimento grato e de assentimento livre à dedicação incondicional que Deus nos dedica em Seu Filho Jesus, a fé é afeto – a afeição de Deus por nós, afetuosamente reconhecida e correspondida, por ser digna de confiança. Em Jesus de Nazaré e no seu Espírito, reconhecemos que Deus é dom de Si para a vida de outro (também de cada um de nós) e que esta é a verdade que nos justifica, a justiça da qual podemos viver em verdade. Como apreço, a fé conhece. Porque saboreia, sabe que o Senhor é bom. Sabendo pelo apreço, faz-se consentimento e entrega confiada. Na graça deste laço-de-afeto, mais forte do que a morte, somos salvos.» (in José Frazão Correia, A fé vive de afeto. Variações sobre um tema vital, Paulinas,2013)

Local

Seminário Diocesano de Leiria

Casa de Retiros São José
Largo Pe Carvalho
2414-011 LEIRIA

GPS: 39.738605, -8.804857

Como chegar

Vindo pela A1 tome a saída em direção a Leiria na N113. Continue pela Circular Interna de Leiria/Av. da Comunidade Europeia. Dirija-se para a Rua Joaquim Ribeiro Carvalho e estará no Largo Padre Carvalho, na entrada do Seminário Diocesano de Leiria.

Consultar o programa

Secretariado do Encontro de Reflexão Teológica

E-mail: metanoia.ert@gmail.com

Inscrições

Associados: 30 €

Não associados: 40 €

Após a inscrição, efetue o pagamento para o

IBAN: PT50 0035 0127 00033123530 57​

e dê-nos conhecimento para metanoia.ert@gmail.com

Alojamento (pagamento a efetuar no Encontro​)

Diária por pessoa

  •         Quarto Individual 32 €
  •         Quarto Duplo 27 €
  •  Refeição avulsa: 8 €​
  •  Dormida avulsa: 12,5€

Diária das crianças

  •     Até aos 4 anos não pagam.
  •     Dos 5 aos 10 anos pagam 50%

 

 

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Por uma Cultura de Compromisso com a Paz

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Sessão de Estudos – 2017

(mais informação e inscrição, veja o final do artigo, p.f.)

“Não confundimos não-violência com passividade, cobardia ou desistência de lutar pela justiça. Afirmação de si, agressividade e conflito são inerentes à condição humana. Não têm forçosamente que assumir a forma de violência, de desejo concretizado de destruição do outro, do diferente, do que nos mete medo. E não é pelo facto de a guerra ter sido uma constante na História da Humanidade que assim tem de continuar a ser.

A Humanidade dispõe hoje de recursos materiais e espirituais que lhe permitem prescindir da violência como forma de garantir a sobrevivência e é possível a partir de um processo lento e difícil, porque cultural, inaugurar uma nova era civilizacional de humanização, de enriquecimento pessoal e comunitário através do confronto e da compreensão do outro, do diferente, não mais entendido como uma ameaça.

Hoje é possível pensar a evolução da Humanidade fora dos quadros da violência.”

Proposta para uma cultura de não-violência, aprovada na Assembleia Geral do Metanoia em 26 de Outubro de 2002 (versão definitiva, Dezembro de 2002)

“Dêem-se as mãos fraternalmente, as pessoas, os grupos sociais e as nações, o forte ajudando o fraco a crescer, oferecendo-lhe toda a sua competência, entusiasmo e amor desinteressado. Mais do que qualquer outro, aquele que está animado de verdadeira caridade é engenhoso em descobrir as causas da miséria, encontrar os meios de a combater e vencê-la resolutamente. Artífice da paz, “prosseguirá o seu caminho, ateando a alegria, e derramando a luz e a graça no coração dos homens, por toda a terra, fazendo-lhes descobrir, para lá de todas as fronteiras, rostos de irmãos, rostos de amigos”.

Combater a miséria e lutar contra a injustiça, é promover não só o bem-estar mas também o progresso humano e espiritual de todos e, portanto, o bem comum da humanidade. A paz não se reduz a uma ausência de guerra, fruto do equilíbrio sempre precário das forças. Constrói-se, dia a dia, na busca de uma ordem querida por Deus, que traz consigo uma justiça mais perfeita entre os homens.”

Encíclica Populorum Progressio (excertos dos parágrafos 75 e 76)

Recordar estes excertos da nossa reflexão e da Doutrina Social da Igreja serve para, de novo, nos mobilizarmos em torno de uma reflexão sobre a construção da Paz.

Os problemas, as desigualdades, as injustiças persistem, mas como a História não se repete, importa compreender as especificidades deste tempo que nos é dado viver, interpretando os seus sinais para renovarmos o nosso compromisso pessoal e comunitário pela Paz.

Somos, com frequência, tentados a desistir, a pensar que perante a persistência do adversarialismo, da miséria, da violência, de nada valem as nossas decisões e vontade de mudar. Por isso, o encontro, a partilha de ideias e ações, o confronto de opiniões é via de renovação da esperança, de mútua edificação e encorajamento.

Sabemos que é um desafio exigente que como dizíamos no nosso texto de 2002, se coloca, em primeiro lugar, a cada um de nós:

Ter este princípio como horizonte de vida pressupõe um profundo e persistente trabalho interior porque ”a não-violência não recusa o conflito, mas procura transformá-lo em fonte de crescimento e de amadurecimento da consciência e da solidariedade humanas, consciente dos limites e precariedade desse mesmo processo.”[1] Este é um desafio que cada um há de colocar, em primeiro lugar, a si mesmo, ainda que a partilha e a reflexão societária constituam um incentivo e encorajamento que previnem a desistência de tão exigente processo de construção espiritual.

Contra a indiferença e o conformismo, conhecer, estudar, perspetivar caminhos, combater falsos determinismos, construir correntes de opinião, irmanar vontades, é este o propósito que nos anima ao convocarmos esta Sessão de Estudos. Contamos com o contributo de quem estuda, intervém, pensa alternativas, age para interromper a espiral da violência e com o saber, os sentimentos, pensamentos de cada um dos participantes para promovermos uma cultura de compromisso com a Paz. Deste modo associamo-nos à grande corrente que a Encíclica Populorum Progressio tão bem diz no parágrafo 17:

“As civilizações nascem, crescem e morrem. Assim como as vagas na enchente da maré avançam sobre a praia, cada uma um pouco mais que a antecedente, assim a humanidade avança no caminho da história. Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever.”

[1] António Matos Ferreira, “Viver de um outro modo”, in “Não Violência – nostalgia de um sonho ou exigência de vida”, Cadernos METANOIA, Lisboa, 2000.

Local

Quinta da Torre d’Aguilha
Beco Anexo à Estrada Mata da Torre
2785-599 São Domingos de Rana
Carcavelos

Inscrição

Não Associados do Metanoia: 7 €
Associados do Metanoia: 5 € (sujeito a perequação)
Almoço: 8,50€
Formulário para a inscrição: https://goo.gl/forms/OWWA9LN7Sj9idTuG2

Para os associados que pretendam alojamento para a assembleia no domingo, dia 12 (inscrição no mesmo formulário):
Alojamento incluindo almoço, jantar de sábado (dia 11, pequeno-almoço e almoço de domingo:
– Quarto individual 57,50€
– Quarto duplo 47,50€

Mais informação: metanoia.se@gmail.com

Caminhada de Pentecostes – Mora, 24.Maio, 2015

10:30 – Ponto de Encontro: Parque Ecológico do Gameiro/Fluviário de Mora

GPS: 38.955138, -8.107591

Caminhada no Parque Ecológico do Gameiro [a duração da caminhada será adaptada às capacidades físicas de cada um].

Almoço partilhado, com o que cada um levar.

Visita ao Fluviário de Mora.

Celebração de Pentecostes na Capela da Misericórdia.

Lanche e regresso a casa, cerca das 17 h.

Agradecemos que faças a tua inscrição através desta ligação:

https://docs.google.com/forms/d/1c21AgSs8fKpdr4YR_x2Zth25B7-Op9Ssm4mX5muVnQ4/viewform?usp=send_form

Caminhada de Pentecostes 2015_ConviteOLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Metanoia Lisboa

10 abril 2015 Convocatória Metanoia LX images pdf

POR ONDE ANDA JESUS, O RESSUSCITADO?

“…Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. …Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?»: bem sabiam que era o Senhor. …Então Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Foi esta a terceira vez que Jesus Se manifestou aos discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. “ (excertos do Evangelho do dia, para sexta feira a seguir à Páscoa, João 21,1-14)
A margem. Sempre a margem. Uma margem que se inscreve, quantas vezes, aparentemente, no banal do quotidiano, nos esforços nem sempre bem sucedidos dos trabalhos dos dias e das noites! E é aí que Jesus fazendo irromper a força de acreditar que o inimaginável é imaginável, se apresenta, quantas vezes aos nossos olhos, como o Desconhecido.
O pão, o peixe. Mais uma vez o gesto da partilha, numa refeição, onde à partida pouco ou nada havia para comer.
Como criamos o tempo, o espaço, para ao menos ousar perguntar “Quem és Tu?”
Por onde passam hoje as nossas insistências em prosseguir o caminho da luz do ressuscitado, das redes a transbordar de peixe, sabendo que a noite das dores e o vazio do túmulo são reais na vida de Jesus e na nossa?
Como as mulheres e os homens que viveram com Jesus, andamos por muitos caminhos – entusiasmo, alegria, duvidas….

Sessão de Estudos, 2015

SE 2015_Cartaz

Realizou-se a 28.Fevereiro, 2015 a Sessão de Estudos 2015, do Metanoia, na Casa Diocesana do Vilar no Porto.

Intervenções efetuadas:

Abertura

António José Paulino  images pdf Abertura SE 2015_António José PaulinoOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Paula Cristina Santos  images pdf Abertura SE 2015_Paula Cristina Santos

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Carlos Farinha Rodrigues – images pdf Efeitos redistributivos do Programa de Ajustamento_Carlos Farinha Rodrigues

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OLYMPUS DIGITAL CAMERA José Soares – images pdf Educacão_José Vale Soares

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Suzete Gonçalvesimages pdf  Os cidadãos, o Estado e a Saúde_Suzete Gonçalves

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Américo Monteiro – images pdf  Trabalho emprego e empresas_Américo Monteiro

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Manuela Silva images pdf De uma economia que mata a uma economia mais justa_Manuela Silva

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Laborinho Lúcio – [comunicação disponível brevemente]

Conclusões images pdf Metanoia_SE2015_Conclusões

Primeiro andamento (Carlos Farinha Rodrigues, José Soares, Suzete Gonçalves, Américo Monteiro e debate)

Nos últimos cinco anos, um país já muito desigual ficou mais pobre e a distância entre os mais ricos e os mais pobres aumentou. Destaca-se a pobreza entre as crianças e os jovens, (que reproduz o presente e ameaça o futuro) e entre os desempregados, embora, só por si, o emprego não garanta a saída de uma situação de pobreza. Continuar a ler